Na Copa, mais do que nunca, o mundo é uma bola

O que é uma bola?

De onde se vê, seja de qual ângulo for ela é sempre igual. A bola não possui ângulo, não admite pontos de vista diferentes.

Talvez isso explique o fascínio que ela exerça sobre as pessoas de todo o mundo.  Quando ela começa a rolar pelo gramado vão ficando cada vez mais distantes o fascínio pelo poder, as fronteiras territoriais, as classes sociais, as mudanças climáticas, os conflitos bélicos.  A ganância, a exploração e a mesquinhez do homem ficam do lado de fora do gigantesco estádio da hipocrisia.

Sejam judeus ou muçulmanos, cristãos ou protestantes, pobres ou abastados, globais ou locais centro ou periferia, as únicas cores que diferenciam todos esses olhares são as de suas bandeiras, que num bailado espontâneo, se congraçam, se harmonizam, tremulam alegres, ensinando-nos toda a beleza da diversidade humana.

O mundo é uma bola. Por mais que insistam em chutá-lo para escanteio, Deus costurou cuidadosamente cada um de seus gomos para que não sejam desfeitos.

E é na copa, em um mês a cada quatro anos que aprendemos, para novamente, esquecermos nos próximos três, que a raça humana deveria ser comemorada como se fosse o gol mais bonito.

Inspiração do homem da minha vida, meu pai!