Resgate de Valores



Há algum tempo vem existindo um apagão nos recursos humanos. Um país não se desenvolve se não investir em tecnologia, inovação, saúde e principalmente em educação.

É preciso em primeiro lugar, lembrar que se nas escolas fosse disponível laboratórios, aulas no período integral, bibliotecas, salas de informática, alimentação, os economistas apontam que seria preciso gastar dez por cento do PIB por dez anos. Educação em período integrado não é como escola, pois ocorre no horário normal de um período, combinando com outras atividades pedagógicas em que a criança e o jovem possa ir a museus, visitar parques, comunidades e assim será educado por outras práticas que não necessariamente em sala de aula.

Não se pode esquecer que para isso ocorrer é preciso melhorar a qualidade do gasto público e evitar desvios de verba pública como acontece no nordeste brasileiro em que são roubados os recursos públicos e também o futuro das crianças e adolescentes.

Além desse fator, não se pode esquecer que ainda existem quinze milhões de jovens analfabetos, quaretna por cento de crianças que, se alfabetizam, mas que não entram ou concluem o ensino médio. É imprescindível aumentar os investimentos, gerar igualdade de oportunidades para que o país possa fazer juízo das imensas oportunidades que ele tem.

Temos o exemplo de um presidente da república que mesmo sem ter conhecimento acadêmico que muitos tiveram por ausência de oportunidades, passou fome e muitas dificuldades na vida no lugar onde nasceu e cresceu, em Pernambuco, mas conquistou um país, o mundo e foi um dos únicos presidentes que governou e que pagou a dívida externa, desenvolveu planos pra melhoria do país focando nos menos favorecidos e foi o povo que o elegeu pois confiaram em um deles. É claro que ainda há muito o que fazer, muitas falhas no sistema mas se for observar o contexto histórico do país, encontraremos um desenvolvimento notável.

Outro exemplo de superação é o da ex ministra do meio ambiente Marina Silva que até os dezesseis anos de idade era analfabeta, criada no Amazonas e grande amiga do ambientalista, seringueiro e sindicalista Chico Mendes que defendia a floresta e os direitos dos seringueiros ( Chico só foi aprender a ler aos 20 anos de idade. Indignado com as condições de vida dos trabalhadores e dos moradores da floresta amazônica, tornou-se um líder do movimento de resistência pacífica. Defensor da floresta e dos direitos dos seringueiros, ele organizou os trabalhadores para protegerem o ambiente, suas casas e famílias contra a violência e a destruição dos fazendeiros, ganhando apoio internacional). Marina Silva se alfabetizou, formou-se em uma faculdade, passou a ser uma pessoa de grande influência no Brasil e quase tornou-se presidente do Brasil nas eleições de 2010.

Por lei, vinte e cinco por cento dos impostos arrecadados em todas os municípios devem se investidos em educação que muitas vezes não ocorre devido aos desvios de verbas e a corrupção, ou até mesmo o descaso, pois para muitos políticos, quanto mais ignorante for a massa, mas fácil será a manipulação, mais alienação, mais comando.

Portanto, é de suma importância dar valor à educação, pois ela é um investimento de mudanças, de conscientização, de inserção no mercado de trabalho, na estabilidade, qualidade de vida proporcionando à futura geração um futuro melhor. Questionem, perguntem, façam, não deixem que sejam manipulados por nada e ninguém, pois somos criados desde o ” descobrimento do Brasil” para sermos os subordinados, trocados e usados.

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No Caminho

bananal

Esta cidade linda em sua biodiversidade e em seu charme colonial guarda muitas histórias do período em que o grande poder econômico do país estava concentrado no café. O município cresceu e se enriqueceu com as fazendas de café. Com tanta riqueza, Bananal (Via Dutra-  Rodovia dos Tropeiros Rj) chegou a avalizar para o Império empréstimos feitos em bancos ingleses, chegando a cidade ao luxo de possuir, por algum tempo sua moeda própria.

Lá visitei a Pharmácia Popular, Antiga Farmácia Imperial: Existe desde 1830, fundada por um boticário francês, tendo, depois de sucessivos proprietários, chegado às mãos do farmacêutico Ernani Graça, pai do atual proprietário. Recebeu um prêmio da Fundação Roberto Marinho como a mais antiga farmácia ainda em funcionamento no Brasil.

Também passei no Chafariz de ferro: Em 1879, por iniciativa de Alfredo Campos da Paz, foi inaugurado no Bananal um chafariz de ferro. Destinado ao atendimento da população que ainda não contava com o serviço de água encanada, o chafariz, hoje restaurado, tem forma de coluna e é ornado com elementos barrocos. No caminho parei em algumas fazendas que se mantinham do café como a fazenda Três Barras, Coqueiros, Independência, Resgate e Boa Vista.

Muitas se transformaram em propriedades particulares, outras foram abertas a visitas com agendamento como é o caso Do Resgate. Na Fazenda Resgate, que pertenceu ao vaidoso comendador Manoel de Aguiar Vallim, um dos homens mais ricos de sua época, todo o brilho do passado imperial manifesta-se no luxo e refinamento de seu imenso sobrado, um dos mais importantes exemplares da arquitetura neoclássica da região. No interior da casa consta pinturas lindas de José Maria Villaroid, pintor francês e algumas obras de aleijadinho.Apesar de toda a beleza que rodeia esta região, muito pouco valor se dá aos patrimônios históricos como os casarões, as próprias fazendas, a estação, e os estabelecimentos de arquitetura barroca e colonial. Lá em Bananal conheci um senhor de muita simpatia chamado Reinaldo Afonso. Ele me mostrou e me contou a história de um dos casarões do centro da cidade no qual trabalha e se dedica a anos. Como a prefeitura local não apóia a restauração e o investimento na preservação dos patrimônios históricos da cidade Reinaldo e algumas pessoas se uniram para reerguer este Casarão. Ele pertenceu ao Fazendeiro Valim, o mesmo proprietário da Fazenda Resgate. Lá, aconteciam os bailes e comemorações importantes. Com o tempo de tanto empréstimos que o senhor Valim fizera foi preciso dar o Casarão para a prefeitura como forma de pagamento. Reinaldo disse além de ter pertencido ao Valim e depois da prefeitura, o Casarão era uma escola que ele e muitas pessoas estudaram. Depois ele foi fechado e aos poucos sendo esquecido. Mas o Reinaldo não esqueceu e junto com seus colegas tenta manter a história viva em suas memórias e da população de Bananal. ” Falta muito ainda, mas aos poucos nós vamos conseguir. Veja, aqui nesse salão era onde se davam as festas. Quando vinham convidados Ingleses uma pequena orquestra  tocava. Quando vinham pessoas do império eram os escravos que tocavam, pois quem era do Império era contra o fim da escravidão sendo que os ingleses já tinham abolido.  Então além disso existem muitas histórias que vivem aqui. Respiramos a história. Não podemos fujir dela ou simplesmente esquecê-la.”

E pode ter certeza que nunca vou esquecer.. . =)