Gravando!

Uma das melhores experiências profissionais que tive foi trabalhar como repórter no Programa Cidade Viva, um programa de entretimento com uma equipe unida, que veste realmente a camisa para levar informações ao público mogiano. Esse convite  feito pelo Leandro Sergio, repórter do programa e um mestre. Foi enriquecedor  trabalhar esse tempo,aprendi muito sobre a profissão de repórter e vou levar para toda vida. Nesse dia, fomos conferir uma noite de música de muita qualidade no projeto Quarta Nobre no Mogi Shopping, dessa vez com o músico Rafa Barreto. Espero que gostem!

 

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Festa para o Outono


O Akimatsuri mantém viva as tradições, costumes, crenças e incentiva as manifestações artísticas e culturais japonesas. Como em todos os anos, tem uma grande programação de shows e eventos. Fiquei honrada em receber o convite do Programa Cidade Viva e do Leandro Sérgio em poder fazer parte da matéria dentro de um evento tão importante! Espero que todos vocês gostem da matéria comigo e Leandro Sérgio como repórter.

Mudança




Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama… Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais… leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado… outra marca de sabonete, outro creme dental… Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!

Edson Marques

Um papel de todos

 

 


Marley, é um rapaz de classe média urbana, nascido em São Paulo no ano de 1970.Quando pequeno, trancado em seu apartamento, ficava assistindo televisão enquanto sua mãe se ocupava com os afazeres domésticos.

Seus desenhos preferidos eram: Scooby Doo, Tom e Jerry, Mickey e seus quadrinho eram o Batman, o Spider Man e o Super Homem.

Hoje, seu filho de dez anos assiste ao Cartoon e sua filha de 14 adora a Demi Lovato e já leu e assistiu a todos os filmes da saga Crepúsculo. Sua mulher compra todos os meses um produto da polishop e agora disse que vai comprar um maiô que deixa as curvas mais bonitas do Doctor Ray.

Essa semana Marley vai fazer um empréstimo no banco para comprar uma televisão de 42 polegadas e pagar a viagem dos sonhos da filha para a Disney. Antes de passar no banco, ele precisa ir ao shopping comprar um tênis para o filho e um novo i phone para ouvir indo para o trabalho.

E quem é Marley?

Bom, Marley é um rapaz de 40 anos de idade que mora na maior cidade do Brasil, onde ele e sua família, como muitas dessa geração, são os filhos, geração e produto de uma invasão cultural e um sistema linear.

Num país que é finito, não podemos viver num sistema linear, pois interagimos com diversas culturas, religiões, economias, políticas e sociedades. Nesse sistema existem falhas que vai da política e se estende na mentalidade do usar e jogar fora.

As pessoas vivem e trabalham ao longo desse sistema onde algumas são um pouco mais importantes do que as outras. Algumas têm um maior poder de decisão, como o governo. A função do governo é olhar por nós, cuidar de nós, porém o que vemos na maioria das vezes são escândalos políticos, cenas de corrupções, desvios das verbas públicas e a preocupação verdadeira é com o bem estar das corporações e o bem individualista.

Pagamos impostos para um asfalto mal feito, onde a placa na rua indica um gasto de 3 milhões de reais. Pagamos nossos impostos para encher os tanques dos militares, para enfrentar filas enormes em hospitais públicos, para nos depararmos com crianças pedindo esmolas nas janelas dos carros, para multiplicar o investimento no mercado armamentista, para alimentar o tráfico de drogas, de órgãos, de prostituição. Pagamos nossos impostos para não enxergar a injustiça social, para milhares de crianças e adolescentes deixarem as escolas, o conhecimento, para pegar em um machado e trabalharem nas lavouras.

Uma televisão talvez tenha sido montada por uma criança no México, seu plástico deve ter sido retirado da China, o metal na África do Sul e o petróleo no Iraque. Marley, personagem do início da história, não irá pagar na televisão que comprou.  Não irá pagar o custo da matéria

prima retirada, da exploração de crianças, da destruição e impacto ambiental na produção e liberação de toxinas das fábricas de eletroeletrônicos.

Quando pequenos, nossos pais sempre nos ensinaram a compartilhar o que era nosso, a sermos generosos. E o que fazemos depois de adultos?

Um jovem morador de rua um dia me responder que se tivesse muito dinheiro ele ajudaria sua família e daria roupas, alimentos, remédios, moradias, amor e carinho para outras pessoas que também não têm. Então por que alguém que não tem nada ainda deseja compartilhar, enquanto nós que temos de tudo insistimos em ser tão individualistas?

Aposto que nossos pais quando tinham a nossa idade não tinham as mesmas preocupações que as nossas. Hoje, tenho medo de respirar oxigênio, pois o ar é poluído e cheio de tóxicos. Tenho medo de ter um filho e ele não ter mais a mesma oportunidade que eu tive de saber e ver uma floresta, biodiversidade, um ecossistema, ver o céu azul e nadar nas águas do mar. Tenho medo da terra tremer, das ondas dos oceanos e das bruscas tempestades  invadirem a minha casa e da fúria da mãe natureza contra mim.

Em 1500, o país não só foi dito como descoberto, mas seria a partir daquele momento que ele não seria mais a terra de Pindorama, mas a terra do ponto de vista dominado, submetido, o que chamamos hoje de terceiro mundo.

Paul Brasil, ouro, café, cidades, indústrias…

Nós sustentamos o modo de vida que não é nosso. Encaramos a cultura européia como sinônima de evolução e até hoje nos anestesiamos para outras artes, literatura, tecnologia, lazer etc.

Só na Amazônia  perdemos 2 mil árvores por minuto para sustentar  grandes fazendas agrícolas e pecuárias. Plantamos arroz e feijão de melhor qualidade para ir para a mesa dos gringos. Alimentamos e adestramos os melhores gados para ir ao prato de gringos. Nessas mesmas fazendas são investidos milhões de reais, destruído milhões de florestas e exterminados milhares de famílias indígenas, raiz e sangue dessa pátria.

As pessoas precisam vender e comprar todo o lixo de substancias tóxicas o mais rápido possível em constante movimento, pois é essa rapidez que gera e mantém a bolsa e a economia do país em grande nível.  E a cada ano um novo modelo de carro, de eletroeletrônicos, de roupas, é fabricado para atrair mais consumidores.

Vemos nesses comerciais anúncios de produtos que supostamente você deveria comprar para lhe tornar um ser mais feliz e completo, caso contrário será inteiramente banido da sociedade.

Temos uma política do trabalhar, ver e pagar. Temos mais coisas do que tempo para sermos felizes.

Vivemos num sistema em crise e é preciso que todos nós enxerguemos isso.  Em vez da justiça se preocupar com a maioridade penal, ela deveria estar agindo nesse sistema falho para que a criança e o adolescente não tenham a necessidade de recorrer ao crime para se integrar socialmente, financeiramente e culturalmente.  Em vez do governo sujar suas mãos de

petróleo e esbanjar orgulho do mal que é feito ele poderia investir esse dinheiro em educação para todos de qualidade, projetos sociais e ambientais, na saúde pública e nas necessidades básicas da população.

Há quem diga que é irrealista idealista e que não pode acontecer, mas eu digo que quem é irrealista é aquele que quer continuar no velho caminho.

Precisamos nos livrar da mentalidade do usar e jogar fora, vamos fazer uma nova escola de pensamentos baseada na sustentabilidade e equidade, energia renovável, economias locais vivas, mais intervenção de jovens em todas as áreas, química verde, zero resíduo, uma sociedade alfabetizada, crítica, organizada e um governo que possamos ter orgulho de nos representar lá fora.

Não é como a gravidade que temos que conviver. As pessoas criaram esse sistema e nós também podemos mudá-lo. Por isso vamos criar algo novo, estudar e saber a vida dos nossos políticos, exercerem a verdadeira cidadania e fazer um país e um mundo melhor a cada dia.

Parte dessas massas

 


Nesse paraíso canibal  composto por bons selvagens, é cenário de xilogravura alemã na carta escrita por Américo Vespúcio, é relato de franciscanos que por essas bandas passaram e observaram a abundancia de frutas e animais exóticos. É a descrição do ritual antropofágico dos tupinambás. É a plantação de uma Cruz, é a divisa de Vossa Alteza, é a salvação dos homens de caras vermelhas ajoelhadas diante de cristo.

Pindorama guardava o silêncio e sua beleza, mas ela acordou numa manhã movimentada por expedições que desembarcaram suas naus na terra vista e viram uma grande visão de lucro. Porém, nada mais que de repente, veio um furacão de desilusão que tomou conta dos pensamentos ambiciosos.

 Nessa terra que não possuía metais preciosos nem especiarias, exploradores não viram de muito proveito, exceto uma infinidade de árvores de Pau Brasil. Então todo um silêncio virou descrições e Cartas, expedições e mais gritos… Mesmo assim viram nessa terrinha um berço de matérias primas, e também um berço para abrigar uma família Real.

Hoje nessa avenida um samba popular passará por vozes, narrando o suor daqueles antepassados que ergueram grandes Catedrais, daqueles que ergueram grandes Casarões, daqueles que construíram essas avenidas grandes, daqueles que transformaram cana em ouro, daquelas minorias que ouviu um dia, olhou e fez muito barulho por um país livre e sem limites para se manifestar, das grandes florestas que foram implacavelmente Derrubadas e 1 milhão de escravos foram trazidos da África ou do Nordeste, os grandes capitais, encontraram nova ocupação, cidades novas foram sendo erguidas, novas e novos latifúndios criados e fortunas foram criados quase que da noite para o dia.

É Vera Cruz, não é brinquedo não!

E da capoeira, feijoada, o jongo, dos batuques veio também o samba, o axé que desceu o morro, as favelas e trouxe uma grande epidemia que tomou conta dos brancos com alma de índios, com alma de negros, com alma de brasileiros!

Não comemos carne na quaresma, mas sentimos a própria carne, no abraço, no beijo, no calor humano.

Das mentes provincianas restam exceções que ainda insistem em serem diferentes e têm vergonha da própria origem patriorizando outras bandeiras, outros valores… Como diz Vinicius de Moraes:

”… Pátria minha…

Ostenta A minha pátria não é Florao, nem
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar…”

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas qual será também
Que um dia traduzi num exame escrito:
“Liberta que serás também”
E repito !…”

Temos o grande poder de vestir a nossa camisa, de abraçar o seu próximo e cantar a história de um país de mulatos, de miscigenados, de homens com caras vermelhas.

Vamos cair nessa avenida

Axé

Rua das poeiras, 1960

 


Aquelas ruas…

Que hoje eu ando carregam as mãos dos meus ancestrais.

Carregam o abandono de homens perdidos

Aguardam a volta dos filhos que um dia voltarão para revê-las.

São as protagonistas das tragédias e das comemorações entre amigos.

Aquelas ruas…

Que hoje não são mais feitas de pedras, só algumas.

Causando na rua um grande alvoroço, camisas e sapatos foram atirados da janela

Certo dia galhos e trovões entraram em conflito com as pobres ruas

Colheres de pau, martelos,  pratos,  panelas

Pobre destino…

A pergunta que ontem queriam calar hoje é afirmação

Os filhos que não foram enterrados as ruas sabem por onde passaram

As ruas são amigas, são margaridas, são poeiras levadas ao vento.

Elas não julgam, elas cantam canções.

As ruas só querem atenção.

Para o tempo perdido

 


Veste o paletó, veste o vestido, veste o sapato, veste as meias, a camisa, os calções, o cinto, veste o pijama. Não veste.

Passa perfume, passa pó, passa lápis, passa máscara, passa disfarce. Apareça sem medo.

Fala grego, fala gíria, fala com os olhos, fala teorias, fala fórmulas, fala pra quem ouve, fala pra calar, fala pra persuadir, fala com as mãos,  fala quantos, fala quem. Não fale, ouça.

O mundo acorda com pressa, sem sono, sem dono e sem direção. Pare.

O tempo, dono de todos aqueles que suaram por sonhos e planos, não pode andar para trás, mas pode cicatrizar as feridas que ficaram. O tempo, pode estender as mãos aos desamparados, mas pode também olhar por todos com olhos de ressaca e se certificar que toda a fortuna que acumula vale mesmo que os sonhos perdidos. Somos sustentados por nossa fé que nos mantém no alto do horizonte. Os heróis da vida também choram… Um pedaço de uma história foi embora com o mar. As cirandas nas praças viraram poeira ao ar e grandes palácios em nossa memória. Nem o tempo, nem as palavras e toda riqueza do mundo pode tomar: As lembranças de um tempo que não volta, mas que vai morar eternamente dentro de nós.